Música e literatura

O Anglo-Portuguese Ensemble estreia-se pela primeira vez em Portugal com um programa inspirado em obras literárias. Concertos de 29 de Abril a 3 de Maio no Centro Cultural de Belém em Lisboa, Quartel das Artes de Oliveira do Bairro e Casa da Música no Porto.

Concertos

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Programa

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Schoenberg: Noite Transfigurada

Verklärte Nacht, a Noite Transfigurada será certamente a obra-prima do período tonal de Arnold Schoenberg (1899). Escrita originalmente para sexteto de cordas, foi em 1924 estreada na versão de orquestra de cordas. Inspirada no poema de igual nome de Richard Dehmel, foi uma obra que deu aso a grande controvérsia desde logo pela avançada linguagem harmónica (na sequência do romantismo tardio alemão), conteúdo programático duvidoso (o papel da mulher que traiu o seu marido, ilustrada no poema) e pelo facto de ter um acorde não categorizado pela Associação Musical de Viena e, por conseguinte, “não existente”.

A obra é dividida em 5 partes, referentes às 5 estrofes do poema de Dehmel sobre a história de um casal a caminhar por uma floresta negra, à luz da lua. Inicia-se com a tristeza da confissão da mulher, segue-se um interlúdio em que o homem reflete na confissão e um final onde o homem aceita e perdoa a mulher (“Vê como brilha o Universo! Há luz por toda a parte”).

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Freitas Branco: A Morte de Manfredo

Inspirado no poema Manfred, do poeta inglês Lord Byron, o composior português Luís de Freitas Branco escreveu A Morte de Manfred originalmente para sexteto de cordas em 1906. Composta ao mesmo da hiper-romântica Sinfonia dramática Manfred quando Freitas Branco tinha apenas 16 anos, esta obra pauta-se pela escuridão, melancolia e pessimismo bem patentes nos temas apresentados nos registos graves de violinos e violas.

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Britten: Simple Symphony

Caracterizada pelo humor e inocência da juventude, a Simple Symphony de Britten (1934) mostra, em quatro andamentos, oito temas originais, escritos durante a infância do compositor. Esta obra tem a particularidade do segundo andamento ser inteiramente em pizzicato, criando um efeito pouco comum. Este andamento é precedido por uma Bourée e sucedido por uma Sarabanda numa clara referência às danças respetivas da suite francesa. Um curto e veloz Finale fecha esta obra retomando a alegria de uma juventude feliz.

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Britten: Lachrymae

Recuando ao início do séc XVII, encontra-se um ciclo de canções originalmente escritas para o alaúde de John Dowland (1604) que servem de base à composição de Britten com o mesmo título, Lachrymae. Este conjunto de reflexões para violeta e orquestra de cordas sobre a obra salientam a linguagem de Britten (1949), apesar de pontualmente , a obra de Downland ser citada na sua forma original. A obra foi dedicada a William Primrose, virtuoso violetista escocês e estreada em 1950 no Festival de Aldeburgh.

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H. purcell: Suite Abdelazar

A Suite Abdelazer ou The Moor’s Revenge (1695)  é uma adaptação musical de Purcell da peça de teatro com o mesmo nome, datada de 1676 e escrita por Aphra Behn. É  uma suite francesa constituida por nove danças constrastantes – sendo que o Rondeau foi mais tarde utilizado pelo também inglês Benjamin Britten para o seu Young Person’s Guide to the Orchestra.

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V. Williams: Variações sobre um tema de Thomas Tallis

A última obra do programa leva-nos até ao séc XVI, altura em que o Arcebispo da Cantuária Matthew Parker escreveu nove salmos para o Livro de Salmos de 1567. Um destes foi então musicado por Thomas Tallis. Já no século XX, foi Ralph Vaughan Williams (1910) a elaborar o tema de Tallis e torná-lo na Fantasia para Orquestra de Cordas. Nesta obra, a Orquestra de Cordas é dividida em duas, separadas uma da outra, no intuito de atingir a sonoridade de um orgão assim como oferecendo a possibilidade de uma orquestra poder ecoar a outra.